Crônica: De todo mal, se procurar, há sempre algo bom!

Por Ronaldo Josino 27/04/2017 - 17:37 hs

Estava José a ser traído? Ora, sua futura esposa tinha engravidado sem que ele nunca a tivesse possuído.

Com certeza fui traído! Pensou.

Sua cabeça estava a ponto de explodir. Como encarar a família, os amigos? E minha honra? Quem foi esse maldito? O que será de mim? José vagou por longo tempo com essas indagações. Aquela noite foi longa.

Em Grossos e em meados dos anos 30 “Antônio Sorridente” natural do Ceará, porém morador da Comunidade do antigo Durim/Córrego, casava-se com a linda Josefa e logo descobria que as noites eram mais frias do que ele pensava. Josefa, com as mãos calejadas e pernas cansadas, ao chegar a noite, dormia logo ao deitar sem dar o mínimo de atenção a Antonio.

Por acaso ela não gosta mais de mim? Aquele amor todo de namoro foi só pra mim fisgar? Ou será que ela tá colocando “galho” em mim quando saio pra pescar? Pensava Antônio enquanto olhava cheio de amor para Josefa esparramada sobre a cama de coxão feito de palha! Palha da boa.

Cheguei a casa cansado das 5 aulas dadas e encontro minha mulher linda, atraente, porém com um cheiro danado de querosene.

De imediato estranho e fico imaginando, será que esse perfume é novo? É a nova fragrância do momento? Me aproximo um pouco mais perto e disfarçadamente procuro arrancar-lhe um cheiro. Sim, é ela.

Que diacho de cheiro é esse “muier”? Home num é a água da caixa que depois de domingo ficou assim, com esse cheiro, passei sabonete, champoo e até perfume, mas não tem jeito. O cheiro de “gás” não sai nem a pau!

José descobriu que a gravidez de sua esposa na verdade era do Espírito Santo e até hoje seu nome é lembrado como São José, o “pai” adotivo de Jesus, o Cristo.

O trabalho de Josefa era “puxar” sal em um balaio carregando-o na cabeça até o paredão, cerca de 50 metros de distância. Por isso ficava cansada e com as mãos calejadas. Com pena da esposa, um dia Antônio resolveu ir no seu lugar. Apesar de ser um trabalho braçal e muito pesado, era efeminizado.  Antônio foi discriminado, sofreu bullying, mas como fazia jus ao apelido só sorria para os amigos. No final da colheita Antônio carregou o dobro de balaios que elas carregavam e consequentemente o dobro de dinheiro. Depois de pelos menos dois meses de muita achincalhação dos amigos, todas as mulheres foram substituídas por seus maridos na colheita de sal. Antônio entrou para história por ser conhecido como o primeiro homem a “puxar” sal das salinas em balaio. Ao chegar em casa, Antônio era recebido por uma mulher linda de mãos maciais e cheia de amor pra dar.

E eu descobrir que a água pode não ser boa para banho, mas é ótima para lavar carro e moto. O óleo contido na água além de dar um brilho no carro, ainda o protege contra a ferrugem.