MBL- MOVIMENTO BRASIL LIVRE OU BRASIL LACAIO?

MBL- MOVIMENTO BRASIL LIVRE OU BRASIL LACAIO?

A meu ver, acho que alguns desses elementos do MBL são totalmente conscientes do que estão fazendo contra o povo trabalhador e contra o próprio país

Por Francisco Emilio de Oliveira 14/01/2018 - 00:33 hs

O MBL – Movimento Brasil Livre e que eu, pessoalmente, prefiro chamar de Movimento Brasil Lacaio, é uma entidade sócio–política de direita que está sendo estimulada nos países latino-americanos e financiada por plutocratas americanos. Ela tem como finalidade básica, diminuir drasticamente a intervenção econômica do estado na economia de tal forma que quase todos os setores estratégicos da economia dos países periféricos ao império global sejam entregues ao mercado que, segundo eles, é eficiente e vai nos libertar da ação nefasta tanto do próprio estado quanto de seus políticos corruptos.  

Olhando para a cara deles a gente percebe logo que são garotos de boa vida, todos vitaminados, bem nutridos, descendentes da classe média mais reacionária brasileira e também mais manipulada pela elite plutocrata que, segundo o sociólogo Jessé Souza, ex-diretor do IPEA, pertencem a classe dos protofascistas que são aqueles que foram para as ruas pedir o impeachment da Dilma por causa das pedaladas fiscais que todos os outros governos também fizeram, inclusive os atuais golpistas, mas que agora, quando as malas de dinheiro aparecem nos apartamentos alugados unicamente para esse fim (esconder o dinheiro roubado do povo pobre desse país) são estampados nos noticiários da grande mídia, não se vê nenhum deles batendo panelas.

Será que eles estavam mesmo somente interessados em moralizar de verdade o país e combater a corrupção ou apenas derrubar a Dilma que foi eleita pela maioria, mas pelo fato de ela e o Lula terem dado mais prioridade e também um pouco de protagonismo aos pobres desse país fazendo-os disputarem com essa classe média vagas nos aviões comerciais, nas universidades e até mesmo nos empregos formais bem remunerados, fato nunca ocorrido antes, como forma de salvaguardar os interesses maiores dessa classe média, não pode acontecer?

A demonstração de ódio dessa classe por Lula, Dilma e o que eles representam é tamanha que dá inclusive para se desconfiar de que não foi somente a moralidade do país que os fez ir para as ruas pedindo o pescoço da Dilma e posteriormente até a prisão do Lula como um dos maiores ladrões desse país, quando eles próprios sabem que se o Lula roubou, como eles dizem, foi um dos que menos roubou nesse país. Eu já tenho muitos anos na estrada da vida e confesso que nunca vi um acirramento da luta de classes tão grande como agora - mesmo a gente sabendo que ela sempre existiu -, mas que até bem pouco tempo atrás, ela era praticamente disfarçada e quase invisível.  

A meu ver, acho que alguns desses elementos do MBL são totalmente conscientes do que estão fazendo contra o povo trabalhador e contra o próprio país, embora que a maioria não tenha plena consciência de suas crenças e atos e por isso pensam inclusive que estão ajudando quando estão na verdade estão é se alinhando com forças politicas retrógradas que simplesmente não querem e também não aceitam um certo protagonismo global do nosso país, relegando-o apenas a mero fornecedor de commodities ou matérias primas sem valor agregado como: soja, milho, carnes, fruticultura irrigada, minério de ferro e petróleo bruto.

Os que estão sendo usados infelizmente acham que defendendo a introdução quase que total do mercado na economia vai permitir beneficiar a todos, gerar mais empregos e renda e, finalmente, tirar o Brasil do fundo do poço onde se encontra atualmente. Eles são partidários das ideias econômicas de Mises e Hayek da escola austríaca de economia e pensam que se toda a economia for entregue as forças competitivas do mercado, toda a economia se encaminhará para o equilíbrio e tudo dará certo apenas numa questão e tempo.

Eles são ainda tão inocentes que acham que o mercado é puro e isento de falcatruas e de corrupção e que pela livre competição das forças da procura e da oferta toda a economia se equilibrará e a bonança se estabelecerá tanto para os proprietários dos meios de produção capitalista que são os patrões, quanto também para os trabalhadores que são os assalariados em geral. Que sonho bonito, mas ao mesmo tempo tão ingênuo não é mesmo? Se é que esse modelo realmente existiu foi-se o tempo em que o mercado deixado ao seu bel prazer continha-se na sua ânsia de lucratividade ao ponto de permitir uma competição verdadeira em qualquer setor da economia de qualquer pais do planeta Terra.

Eu estudei durante algum tempo economia e não me formei nessa área, mas aprendi muita coisa e inclusive hoje ainda tenha mais livros lidos de economia do que muitos economistas formados que eu conheci no Banco do Brasil onde trabalhei por longos quinze anos. E eu também na minha juventude me encantei com as ideias econômicas do Mises e do Hayek da escola austríaca de economia, como também com o marxismo que a meu ver ainda é o discurso mais claro e lúcido sobre o capitalismo e inclusive até também com a Riqueza da Nações, de Adam Smith.

Só que a gente vai vivendo, aprendendo e o tempo vai aos poucos nos mostrando que os problemas econômicas e consequentemente sociais da humanidade, não estão alojados apenas nos sistemas capitalista ou de mercado e no socialista ou de economia planificada não, mas, simplesmente, na cabeça do homem. É ali onde estão às aberrações sofridas por todos os sistemas econômicos ate aqui formulados e implementados pelas diversas teorias concebidas pelas nossas cabeças mais pensantes.  

Acreditar que o atual capitalismo que, inclusive, já provocou duas guerras mundiais e vários outros conflitos de menor dimensão por mais mercados, possa se contentar com uma taxa de lucro não tão execrável e que forneça razoabilidade e competitividade a todo o sistema apenas com as forças do Laissez-faire é uma santa ingenuidade; da mesma forma que acreditar que a economia planificada no socialismo pode criar um sistema justo e com liberdade para todos o indivíduos de uma sociedade.

São duas bonitas e utópicas ilusões que a experiência comprovou que não funciona conforme a teoria porque, infelizmente, o problema na está nos sistemas econômicos, mas, como já afirmei antes, na cabeça dos homens. E o pior é que, quanto mais o tempo passa mais as coisas estão se complicando mais e mais. Senão vejamos: o capitalismo vem de forma alarmante concentrando renda e mais renda em todos os países onde esse sistema funciona, ao ponto de hoje praticamente o mundo se encontrar nas mãos de seis velhos plutocratas e suas famílias.

Eles são os donos absolutos das fábricas de automóveis, aviões, foguetes espaciais, satélites, armas de guerra, munição, hospitais, laboratórios de medicamentos, agroindústria, fertilizantes, petróleo e gás, bancos privados e públicos, indústrias de alimentos e divertimentos, cinema, televisão, mídias em geral e inclusive até dos poderes das repúblicas e das monarquias, na medida em que, com a força do dinheiro que é muito, cooptaram todos os fronts de poder em todos os países da Terra.

Agora, a pergunta mais importante. Quem são esses senhores? Ora bolas, eles são simplesmente o próprio MERCADO”” que alguns inocentes úteis do MBL – Movimento do Brasil Lacaio quer nos fazer acreditar que o   capitalista voraz como é por lucros e mais lucros se deixará guiar e levar apenas pelas forças magnéticas do Laissez-faire, deixando toda a economia global equilibrada e promovendo a tão sonhada justiça social para todas as sociedades onde realmente se estabelecerem.

Lá nos EUA que é o país que ainda hoje mais representa o sistema capitalista internacional, se não fosse o estado americano altamente empoderado e por trás de todo o processo produtivo em função da corrida aeroespacial, da indústria bélica, farmacêutica, etc, sempre em conjunção com as universidades de ponta que lhes fornecem às respostas tecnológicas as demandas agregadas do estado, certamente que os EUA não tinham conseguido o protagonismo global que ainda desfrutam.   

Mas aqui no terceiro mundo, eles simplesmente pregam como solução para nossas economias o já surrado e sem sentido neoliberalismo que deixou econômica e politicamente toda a velha Europa em pandarecos e inclusive prejudicou até mesmo os EUA, na medida em que todas as suas principais fábricas que pagavam em média seis mil dólares de salário a um trabalhador, mas que em função da busca desenfreada pela competitividade, correram todas e se estabeleceram na China onde a maioria ganha apenas 250 dólares.

Se a gente for analisar a quem o neoliberalismo fez bem se observa que somente a economia da China que atraiu para ela com salários médios de 250 dólares as grande corporações fabris americanas que pagavam em média seis mil dólares aos seus trabalhadores formais. E foi justamente esse fenômeno que possibilitou a vitória do Donald Trump sobre a Hillary Clinton, porque durante a campanha ele prometeu que se fosse eleito presidente faria voltar às fabricas para o EUA e retornarem os empregos e os melhores salários novamente.

Só que isso era apenas retorica ou promessa vã para ganhar a eleição e lá chegando e percebendo que é praticamente impossível conseguir esse feito, agora mudou completamente a conversa e está dizendo que vai taxar todos os produtos chineses nos EUA, provando que o capitalismo deles é de araque e a competição  somente é defendida ferrenhamente por eles quando eles tem mais capacidade competitiva que os outros países no comerceio global.

Ou seja, se um país periférico como o nosso não tem condições de por desigualdade tecnológica, escala e financiamento de competir com os produtos americanos eles suscitam na publicidade a importância da competição para o sistema; mas, se o nosso país têm mais competitividade que eles em determinados itens produzidos como, por exemplo, o nosso ferro que é mais competitivo que o deles. Nesses casos, eles cinicamente apelam para a taxação alfandegaria. Esse é o verdadeiro sistema capitalista meninos do MBL. O resto é somente o que vem provar que o problema não está nos sistemas, mas na cabeça de quem os conduz.

O sistema que o MBL – Movimento Brasil Livre que eu chamo de Lacaio quer implantar aqui e alhures é simplesmente impossível porque o próprio capitalismo selvagem que nos domina não vai permitir que a competição real e verdadeira que vocês aspiram e que seria a ideal se realmente acontecesse e as empresas do sistema capitalista tivessem condições de competir sem interferências estranhas que possam comprometer as suas sempre crescentes e indispensáveis lucratividades.

Então, ante o exposto, pode-se até conceber que: Mises, Hayek, Marx, Polanyi, Keines e tantos outros grandes economistas pensantes que de forma brilhante se aventuraram racionalmente a idealizar modelos de desenvolvimento econômico e social que trouxessem paz, equilíbrio e estabilidade as sociedades de suas respectivas épocas, todos eles, em maior ou menor extensão fizeram a sua parte, contribuindo para o progresso de toda a humanidade. O problema, amigos, nunca esteve e também não está nos sistemas criados por todos eles, mais sim, unicamente na cabeça do homem que,  verdadeiramente, necessita ser consertada.       

Por isso é que defendo que ao invés de um estado mínimo que somente interessa ao mercado que hoje é o corruptor tanto dos políticos quanto do próprio estado em todos os níveis de sua organização, um estado mais ou menos empoderado que a médio prazo consiga se desvincular da dependência do mercado financeiro interno e externo também, promovendo o entendimento e a união de quem produz (empresários) com quem trabalha (trabalhadores), contra os rentistas que estão fazendo muito mal a esse país e mediatizados pela universidade que através de pesquisas colocará na mesa as respostas para a sustentabilidade de um projeto de desenvolvimento nacional.