A origem da palavra Baitola. A curiosa história popular nos tempos do Porto Franco.

Grossos, Minha Terra, Minha História.

Por Ronaldo Costa Josino 11/10/2021 - 15:57 hs

 

Sabe-se que os trilhos da Estrada de Ferro entre Mossoró e o Porto Franco de Areia Branca - hoje Grossos - eram separados por uma distância de 1 metro. Essa distância era medida milimetricamente por uma bitola.

A bitola usada em um trecho na construção da linha teria que ser usada em todo os demais para não haver nenhuma diferença. Usar outra bitola, mesmo que aparentemente igual, era considerado como risco, embora não tenha registro de erro.

Após a medição milimétrica entre um trilho e outro, estes eram apoiados e pregados em “dormentes”, troncos de paus deitados e enfileirados.

Pois bem, conta-se a sabedoria popular que na construção da estrada de ferro no trecho entre Mossoró e São Sebastião (atual Dix Sept Rosado) que ligavam ao trecho do Porto Franco, lá para meados de 1920, um engenheiro inglês tido como homossexual esteve chefiando os trabalhos por aquelas bandas.

O sotaque do Inglês não era dos melhores, mas dava para compreender. Levando em conta que o “i” tem som de “ai” no inglês, o engenheiro pronunciava a palavra Bitola como Baitola. Isto é, trocava o “i” pelo “ai”.

Vez ou outra, o Inglês pedia aos seus ajudantes: Traga-me minha “Baitola” para eu conferir aqui.

Certo dia, o engenheiro procurou a baitola (bitola) e não encontrando “berrou”: Cadê a baitola que estava aqui:

Um dos funcionários, em tom baixo, respondeu para seus colegas: Baitola é você, home. Sei lá de baitola!

O que acabou relacionando de uma forma geral a palavra Baitola as pessoas homossexuais.

Desde já lembramos que o texto se trata de uma lenda, algo que circula de boca em boca e constitui a tal “voz do povo”.

Não podemos afirmar em definitivo que tem um fundo de verdade, mas pelo menos sabemos estar diante de uma pepita genuinamente popular e não de uma descarada contrafação internética.

Bibiografia:

Revista Veja, Blog João Santos e Francisco Rodrigues (Livro: Porto Franco)