Cirurgiões dos EUA testam transplante de rim de porco em humano e obtêm sucesso

Não se sabe ao certo quando a cirurgia ocorreu. Sabe-se, porém, que o transplante pode representar avanço na ciência

Por Ronaldo Costa Josino 20/10/2021 - 17:14 hs

Jornal de Brasília - Cirurgiões da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, transplantaram um rim de um porco em um ser humano, e o procedimento foi bem-sucedido. A cirurgia não provocou nenhuma rejeição imediata do sistema imunológico do paciente.

A informação é da imprensa americana, reportada pela agência Reuters. Não se sabe ao certo quando a cirurgia ocorreu. Sabe-se, porém, que o transplante pode representar avanço na ciência, podendo ajudar a aliviar a escassez de órgãos humanos para transplante.

A recipiente do transplante foi uma paciente com morte cerebral com sinais de disfunção renal. A família consentiu ao experimento antes que ela fosse retirada dos equipamentos de suporte à vida”, afirmaram os pesquisadores. Por três dias, o novo rim foi ligado às suas veias e artérias sanguíneas e mantido do lado de fora de seu corpo para que os médicos pudessem observá-lo.

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A operação envolveu o uso de um porco cujos genes foram alterados para que seus tecidos não contivessem mais uma molécula conhecida por provocar uma rejeição praticamente imediata em humanos. Embora o órgão não tenha sido implantado no corpo, problemas com os chamados xenotransplantes – de animais como primatas e porcos – geralmente ocorrem na interface do suprimento de sangue humano e o órgão, onde o sangue humano flui através dos vasos dos suínos, disseram os especialistas ao jornal americano “The New York Times”.

Os resultados do teste de função do rim transplantado “pareciam bem normais”, disse o cirurgião do transplante, Robert Montgomery, que liderou o estudo. O nível anormal de creatinina da paciente receptora – um indicador de função renal deficiente – voltou ao normal após o transplante, afirmou o médico.

O rim produziu “uma quantidade de urina esperada” de um rim humano transplantado, segundo Montgomery, e não houve evidências da rejeição intensa e quase imediata já vista em rins suínos não modificados e transplantados para primatas não humanos.

“Foi até melhor do que eu acho que esperávamos”, declarou o cirurgião ao jornal. “Parecia qualquer transplante que eu já fiz de um doador vivo. Muitos rins de pessoas falecidas não funcionam imediatamente [no receptor] e levam dias ou semanas para começar. Esse funcionou imediatamente.”