A violência verbal observada nas redes sociais e a campanha eleitoral que se avizinha.

Por Ronaldo Costa Josino 15/04/2018 - 08:15 hs

Em se tratando das comunicações que hoje se estabelecem através das redes sociais as quais poderiam ser tão diferentes, estamos todos assistindo estarrecidos a um fenômeno que antes ninguém percebia e o que é pior, com tanto radicalismo. Trata-se da violência verbal aberta com que estamos todos nos tratando, sempre que o pensamento ou a posição do outro com quem estamos nos comunicando, se confronta com a nossa.

Eu mesmo venho procurando me policiar mais nesse sentido, mas também, vez por outra, me pego dizendo coisas a pessoas que nem sequer conheço pessoalmente e com as quais estou me comunicando que presencialmente eu jamais diria. Parece até que pelo fato de a pessoa não está diante de nós, nos motiva ou nos leva a dizer coisas que não fazem parte de uma comunicação verdadeiramente civilizada.

Agora, para complicar mais ainda a questão apareceu o tal do fake news - que é uma espécie de notícia falsa ou  inventada ou até mesmo montada para intencionalmente prejudicar ou beneficiar alguém. No começo da semana passada no Fórum da Liberdade em Porto Alegre no Rio Grade do Sul, ocorreu um fato que merece destaque. O pré-candidato Ciro Gomes, convidado que foi juntamente com outros pré-candidatos para apresentar sua proposta de governo, ao chegar ao local do evento, foi logo abordado por um desses representantes do MBL, o qual simulou ter recebido uma tapa no pescoço do Ciro, depois de frontalmente provocá-lo com perguntas que o Ciro negou não porque não tivesse dito, mas porque foram também cortadas e editadas fora do contexto.

Logo depois da denúncia, apareceu outro rapaz dizendo que era profissional nesse assunto e após analisar o vídeo em toda a sua extensão percebeu logo pela sombra da mão do Ciro que o falso acusador havia alterado o vídeo ao editá-lo cortando entre três e quatro frames para aumentar a velocidade da mão do Ciro ao encostar em seu pescoço, dando margem ao telespectador leigo como eu e tantos outros, para realmente pensar que aquilo fora mesmo uma tapa no pescoço dele.

Depois que ele mostrou como fora feito a alteração do vídeo, ficou claríssimo que o Ciro apenas encostou carinhosamente até a mão no pescoço dele como se fosse uma espécie de simples afago no seu pescoço, mas que para o telespectador que não entende realmente do assunto, ficou a impressão de que a acusação que ele tão maldosamente fizera, era verdadeira.

Vejam então aonde é que nós chegamos. Até a verdade agora pode ser alterada e modificada para parecer uma coisa falsa e mentirosa ou vice-versa. Mas o que eu acho mais estranho em tudo isso é o fato de que uma maldade dessa natureza vir logo de um membro do MBL- Movimento Brasil Livre ou mais adequadamente Brasil lacaio, que se diz um movimento para libertar o Brasil da corrupção e da politicalha que se pratica em nosso país tão aviltado, salvo melhor juízo, por algumas autoridades, inclusive dos três poderes da nossa república.

Mesmo assim, navegando no Facebook a gente percebe cada coisa que inclusive dá até medo de se falar e de se propagar. Acusações grosseiras, graves e frontais contra autoridades em geral são fichinhas pequenas nas redes sociais. Ainda bem que o nosso país anda tão desnorteado com tantas más notícias, que esses fatos ainda não caracterizaram desdobramentos com processos jurídicos contra os seus autores, haja vista que divulgar notícias falsas e/ou que não se pode provar contra pessoas citando o seu nome, constitui crime gravíssimo punido na forma da lei.

Como agravante ainda de todo esse processo há o fato de que tudo que a gente escreve fica registrado e inclusive pode até ser analisado por serviços secretos de outros países mais interessados nessa questão de monitoramento das informações mundiais, pois tanto o Google, quanto o Facebook e o Instagram, são diuturnamente monitorados pelas grandes potências mundiais no sentido de acompanhar, mesmo à distância, futuros e potenciais desafetos, que costumeiramente eles chamam de terroristas.

Toda eleição é geralmente marcada por desonestidades, mas essa de 2018 vai bater todos os recordes e se o povo brasileiro prestar mais atenção durante a campanha, vai perceber claramente que os candidatos que são de esquerda ou mesmo até de centro-esquerda e pregam uma futura auditoria da dívida interna do país, serão os mais difamados e demonizados durante a campanha, visto que esse é um verdadeiro vespeiro onde os ricos e plutocratas alojam seus vultosos recursos e, portanto, ai de quem se dispuser a desarmar essa bomba que há muito tempo vem funcionando contra o Brasil real e a favor dos rentistas que são poucos mais de dez mil pessoas e que já estão levando mais de 51 % por cento de todas as nossa receitas correntes.

O problema maior é que sem se resolver esse gravíssimo problema de nossa economia, o país vai continuar a deriva e sem uma verdadeira solução para os seus tão graves problemas de segurança, saúde, educação, investimento, produção e industrialização, haja vista que os atuais recursos públicos estão sendo carreados em mais de sua metade para pagar os juros de uma dívida galopante que, quanto mais se paga, mais se deve, fato que não deixa nenhuma margem para se investir nas reais necessidades do país e de sua população carente.

Enquanto, pois, não se resolver esse problema de lesa-pátria, não haverá dinheiro para quase nada e o Brasil vai continuar sem lenço e sem documento, navegando sempre aderiva nos mares das tempestades que o famigerado mercado financeiro vai agitar para continuar auferindo os lucros vergonhosos, à custa da fome e da miséria de nosso tão sofrido povo. A situação atual do Brasil é como a de um cidadão do povo que deve muito e ao receber o seu salário no banco, tem alguém esperando na boca do caixa para embolsar mais da metade do que ele recebe pelo seu trabalho todo mês.

Já os candidatos da direita ou da extrema-direita, irão pregar a velha cantilena do livre mercado que não deu certo em lugar nenhum visto já ter quebrado toda a velha Europa e trincado até mesmo os EUA, da diminuição dos impostos somente para os ricos é claro, pois o pobre nesse país  paga mais impostos que os ricos e se depender deles vai continuar pagando mais, a privatização das estatais que trarão no seu bojo a terceirização e a precarização do trabalho, a reforma da previdência que punirá mais os mais pobres mantendo os privilégios dos mais abastados, armação da população para defender os interesses da indústria de armas, mas que será propagado pela mídia manipuladora para combater a criminalidade e o povo poder se defender dos bandidos, privatização do Banco Central, Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, da Eletrobrás, da Petrobras e do restante do ainda nosso Pré-Sal.

E tudo isso divulgado como se fosse para gerar mais empregos e renda para todos e o país poder sair da crise. Agora saia, por esse caminho! Mas, infelizmente, a mídia brasileira que constitucionalmente tem a função de informar a população, salvo raras exceções, mistifica a verdade divulgando o que apenas é bom para a sua elite financeira. Se você prestar atenção, perceberá claramente que a única despesa que eles formalmente apontam como a mais danosa ao país é a da previdência social. Quanto à dívida interna, que é mais de duas vezes maior, ela nem toca nesse assunto e é como se ele nem sequer existisse.

E porque não? Por que é nela onde se encontra o verdadeiro veio de ouro dos muito ricos desse país, os quais, apenas cinco desses senhores plutocratas, ganham mais em seus rendimentos do que quase a metade de nossa população pobre, ou mais precisamente 100 milhões de brasileiros, quase todos pretos, de famílias desestruturadas, biscateiros e sem profissão definida, na verdade os nossos lúmpens ou párias, descendentes dos nossos antigos escravos que foram abandonados ainda naquele tempo, quando apenas no papel aboliram a escravidão e trouxeram através da imigração, europeus e asiáticos que estavam também sobrando nos sistemas capitalistas de seus países de origem para ocuparem o lugar dos que aqui foram descartados.

Como se pode perceber, a elite brasileira nunca gostou dos milhões de miseráveis que ela mesma produziu. Na época da escravidão oficial e formal, tratava os negros como se fossem animais de carga sem nenhuma dignidade, senão a ração diária que lhes era dada e que somente eles e os porcos conseguiam comer para se manterem vivos e continuarem trabalhando para assegurar o status quo dessa minoria, as custas do sofrimento dessas criaturas que foram violentamente arrastadas de sua terra natal onde eram pobres, mas livres para serem simplesmente animalizados aqui no Brasil.

Eu não me canso de mostrar como foi feita a abolição da escravidão americana e também a nossa bem mais inusitada que a deles. Com a guerra da Secessão ou do Norte (abolicionista), contra o Sul (escravocrata) que  começou em 1861 e terminou somente em 1865 com a vitória do Norte sobre o Sul, terminou oficialmente nessa data, também no papel, a escravidão americana. Quando isso ocorreu em 1865, o governo americano deu aos escravos pais de família que escaparam da guerra, 25 acres de terras naqueles estados que ainda estavam se formando, um arado de madeira, uma mula de três anos de idade e sementes para o plantio.

Noutras palavras, o governo americano transformou os seus escravos abolidos em pequenos proprietários de terra, embora que ainda hoje eles sejam também discriminados como os nossos. E como, infelizmente, aconteceu no Brasil? Aqui foi somente em 1888 e graças a Deus não houve guerra, mas ao abolirem também no papel a nossa escravidão, todos os nossos escravos foram simplesmente jogados no olho da rua e as horríveis senzalas dos nossos senhores de terras foram transformadas em moradas de animais, tais como: currais, pocilgas e armazéns gerais para a guarda de materiais e insumos de produção.

Naquela época, apenas 20% da nossa população morava nas cidades e 80% no campo e toda essa gente, após ser jogada no olho da rua da amargura, foi deslocada para os morros distantes dos campos e/ou das cidades brasileiras e começaram a construir os seus paupérrimos barracos ou palafitas, dando origem as nossas hoje tão famosas e discriminadas favelas, embora que o fenômeno tenha se alastrado país afora ao ponto de hoje essa realidade existir em todas as periferias das grandes, médias e pequenas cidades brasileiras.

A partir de 1930 o Brasil resolveu enfim se industrializar e a migração do campo para as cidades se fez ver em toda a sua extensão e gravidade. As cidades grandes médias e pequenas incharam, os campos se esvaziaram e os problemas aumentaram de forma exponencial em todas as já cidades existentes e também nas que foram formadas nesse contexto, tornando-se todas grandes também. Então, com a concentração de renda que vinha celeremente acontecendo, os problemas sociais começaram a se evidenciar e se agravar até o ano de 1964, quando houve uma ruptura daquele processo, culminado  com a revolução dos militares que durou 21 anos.

Nessa época, quando os trabalhadores urbanos reivindicavam justos aumentos de salários, o ministro da economia da ditadura militar, Antônio Delfim Neto, dizia, ironicamente, que deixasse primeiro o bolo crescer para depois reparti-lo entre os trabalhadores. O fato é que foi justamente durante esse período que mais se aumentou a concentração de renda nesse país. Não se cuidou de seu meio ambiente, não se fez a necessária reforma agraria, não se fez o saneamento básico e também não se distribuiu a renda nacional e, por isso mesmo, a ditadura chegou ao fim em 1985.

Com o fim da ditadura, fez-se uma nova constituição, mas a inflação era tamanha que se precisava urgentemente debelá-la para se poder distribuir renda com quem trabalha nesse país. Foi eleito o primeiro presidente pelo voto direto do povo, fato que não acontecia desde o ano de 1964, e o caçador de Marajás das Alagoas, Collor de Melo, foi um fracasso para aqueles que inocentemente acreditaram nele e que, por incrível que pareça, são muito parecidos com os que hoje também acreditam no senhor Bolsonaro.

Por fim, com o Plano Real no governo do Itamar Franco que era o vice do Collor, ele conseguiu controlar a inflação, deu lugar a vitória de FHC que para se beneficiar conseguiu aprovar a sua própria reeleição, mas quebrou o país entregando-o ao FMI, fato que deu passagem ao Lula que já vinha a algum tempo lutando para que um operário chegasse ao poder pela primeira vez na história desse país e depois a Dilma apontada por ele.

Mesmo com todos os erros de seu governo e não foram poucos, foi o presidente que mais trabalhou pelo país e  seu povo humilde, distribuindo mais renda que todos os anteriores e por isso mesmo terminou sendo julgado, condenado sem provas e preso, porque a nossa elite não perdoa a quem na presidência da república se aventurar a distribuir renda aos pobres desse país e, portanto, contra os seus velhos interesses de classe. Ela, a nossa elite, não suporta a distribuição de renda aos pobres e ainda mais com as cotas nas universidades para pobres e negros mais tarde competir com seus filhos nos empregos públicos ou privados mais bem remunerados.

Ante a presente situação, iremos ter no fim do ano mais uma eleição que definirá que rumos o Brasil resultante de sua maioria nas urnas quer para o país. Vai depender da maioria de nós colocar  como nosso voto na presidência, ou um candidato que representa os interesses do mercado financeiro como temos hoje que normalmente nunca se preocupa com o sofrimento das massas abandonadas desde à abolição, ou se outro que esteja disposto a mudar todo esse quadro de exploração explícita de nossa economia a que estamos expostos desde o golpe de 2016. Enfim, com a palavra, o tão sofrido e explorado povo brasileiro!...