Porquê a Direita com cheiro de Facismo ganhou a Eleição no Brasil?

A meu ver o PT juntamente com a Dilma e o próprio Lula cometeram inúmeros erros estratégicos desde a eleição de 2014. Primeiro mentiram para o povo ao afirmarem que estava tudo bem com a economia e que não haveria os significativos aumentos que a oposição do Aécio Neves afirmava que haveria.

Por Ronaldo Costa Josino 04/11/2018 - 01:53 hs

Porque nos últimos tempos a esquerda brasileira que por quatro eleições consecutivas se saiu vitoriosa dos embates políticos com a direita primeiramente foi vitima de um golpe formal, legal, mas imoral e, logo em seguida, perdeu nas urnas a eleição para essa mesma direita que, infelizmente, nunca exalou tanto cheiro de fascismo quanto agora? Afinal de contas a quem se deve realmente debitar os erros que fizeram a direita brasileira que historicamente nunca demonstrou simpatia e nem tampouco empatia pelas classes sociais menos favorecidas, ter tão acachapante vitória sobre os segmentos de esquerda que, se pensava que demandaria bem mais tempo, para serem democraticamente depostas do pode?

Há quem diga que um dos grandes erros cometidos pela esquerda brasileira foi em nome da governabilidade ter se juntado politicamente com alguns atrasados e tradicionais figurões da política brasileira. Outros, afirmam ainda que foi porque a nossa esquerda no poder representada pelo PT como oposição foi quem mais criticou a corrupção da direita e que ao chegar ao poder também se perverteu, fato que sempre se mostrou mais fácil perdoar-se o pecado dos pecadores que dos pregadores.

Há ainda uma terceira corrente que diz que o ódio ao PT e ao Lula é porque a nossa classe média protofascista que ostensivamente é quem demonstra mais intolerância com a esquerda no poder, sentia-se ameaçada com as quotas nas Universidades para alunos pobres e de cor que provinham de escolas públicas, fato que em sua tacanha visão vinha provocando uma competição desigual nas vagas com os seus filhos mais bem preparados nas escolas particulares. Finalmente, há os que dizem que o ódio ao PT e ao Lula é porque essa mesma classe média protofascista também se sentia incomodada tendo que disputar os espaços com os fortes odores dos pobres nos aeroportos e nas aeronaves em voos pelo Brasil afora.

Mesmo com todo esse ódio e maledicência que se tenha construído contra Lula e o PT, entretanto, não se pode dizer que ele foi ruim para o povo pobre desse país. Aliás, para o povo mais pobre do Brasil, ninguém até o presente momento foi melhor do que eles. O grande problema em política é que, quando a economia de um país vai bem, tudo se comporta dentro do esperado. Porém, quando a sua economia vai mal, tudo se modifica e o resultado dos que estão no poder é serem odiados pelo próprio povo que os colocou lá.

A meu ver o PT juntamente com a Dilma e o próprio Lula cometeram inúmeros erros estratégicos desde a eleição de 2014. Primeiro mentiram para o povo ao afirmarem que estava tudo bem com a economia e que não haveria os significativos aumentos que a oposição do Aécio Neves afirmava que haveria. Bastou serem apuradas as urnas para que surgissem logo os tarifaços no preço da energia elétrica, do gás de cozinha, das passagens rodoviárias e aéreas, da taxa Selic e tudo isso encareceu demais o custo de vida dos trabalhadores em geral, vindo a reboque disso as primeiras decepções com o segundo governo da Dilma.

Outro fator que também prejudicou o governo dela foi o fato de que no inicio do seu primeiro mandato o preço de todas as nossas commodities ainda estavam relativamente altos e isso garantiu o equilíbrio de nossa balança comercial. Todavia, já no fim do seu primeiro mandato os preços desses produtos despencaram de vez no mercado internacional e a nossa balança comercial que desde o primeiro mandato do Lula nos dava um grande superávit comercial, no inicio do segundo mandato da Dilma, sofreu uma queda significativa criando um verdadeiro rombo na nossa balança comercial com o exterior.

A partir daí, a inflação começou a assubir perigosamente e os nossos juros reais subiram em igual escala, aumentando significativamente a nossa dívida interna e externa e criando as condições para que a oposição derrotada por quatro eleições consecutivas e já há dezesseis anos fora do poder, fosse cooptada por seus próprios interesses espúrios e também por outros alhures e mais poderosos, fato que enfim culminou com o impeachment da presidenta Dilma. Quando ela foi derrubada já se encontrava tão enfraquecida que sequer conseguiu juntar forças políticas necessárias para conseguir um terço da Câmara para se livrar ali mesmo do processo e não deixá-lo chegar ao Senado, aonde finalmente perdeu o mandato.

O próprio Congresso Nacional, reconhecendo a sua lisura como administradora, sequer lhe cassou os seus direitos políticos como constitucionalmente devia, mas apenas a impediu de continuar no cargo com o impeachment, haja vista que ela já não dispunha de mais nenhuma condição de governabilidade. Os reais motivos da perda do seu mandato eu já os descrevi em artigos anteriores e não desejo mais aqui expô-los novamente, pois são interesses puramente geopolíticos já descritos e que o próprio tempo vai se encarregar de dizer se tinha ou não razão.

Todavia, foram problemas outros e bem mais internos que externos que levaram o PT e o Lula à derrota nessa eleição de 2018. Primeiro - que não foram capazes de perceberem que por quase três anos consecutivos foram alvos constantes de satanização pela maior rede de televisão do país e que seria muito difícil uma eleição de quem quer que fosse candidato desse partido, até mesmo do próprio Lula se pudesse ter sido. Segundo – que como sempre não souberam mais uma vez reconhecer o velho amigo Ciro Gomes de lutas do passado e dar a ele uma chance de também ser presidente do Brasil e nos livrar da sanha fascista perigosa do atual presidente que foi eleito não apenas por mérito próprio como muitos acreditam, mas pela alta rejeição criada pela mídia contra o Lula e o PT.

Além de todas essas maldades continuaram insistindo que o Lula mesmo preso em Curitiba seria candidato sem poder ser, engando seus próprios seguidores e dizendo que a eleição sem Lula seria fraude até que a própria Justiça Eleitoral os obrigou a substituir o seu nome pelo o do Haddad. Mas, mesmo assim, ainda manobrou na cadeia para que a esquerda representada pelo PSB não apoiasse Ciro Gomes, fato que dificultou a sua campanha e que em termos de tempo de televisão e de mais recursos do Fundo Partidário, inviabilizou de vez a sua passagem para o segundo turno da eleição.

Antes da substituição de seu nome pelo o do Haddad, o Lula, vendo que o Ciro mesmo tendo sido isolado por ele ainda assim continuava crescendo na campanha, mandou convidá-lo para ser o seu vice e que no caso de substituição obrigatória de seu nome na chapa do PT, o Ciro seria cabeça de chapa com o Haddad na vice. Como o Ciro não queria ser um presidente por procuração como o Haddad e também porque nem confiava mais no Lula e nem queria retirar o nome de sua brava companheira de chapa e luta Kátia Abreu, preferiu continuar sozinho com ela sabendo que iria perder a eleição, mas pelo menos não sendo mais pela nona vez engado pelo PT e pelo Lula, como o próprio Ciro afirmou na sua última entrevista dada a Folha de São Paulo.

Quem foi para o segundo turno foi Haddad o seu segundo poste depois da Dilma. Haddad até prova em contrário é um cidadão honesto e competente, mas politicamente fraco, sem carisma eleitoral e nem capacidade de liderança ao ponto de ter perdido a sua reeleição há dois anos atrás para a Prefeitura de São Paulo para os votos brancos e nulos. Todas as pesquisas eleitorais mostravam claramente que somente Ciro Gomes por ter a menor rejeição entre todos os candidatos da linha de frente da campanha, seria capaz de vencer o atual candidato eleito no segundo turno.

Todavia, tanto o Lula quanto o PT, pensando mais neles que no próprio país que se encontra no fundo do poço atualmente, fizeram ouvido de mercador a essa tão flagrante realidade e preferiram dançar na beira do abismo, simplesmente apostando no candidato Haddad dele e o do seu Partido, mesmo sabendo que ele iria perder a eleição no segundo turno, apenas pela ambição de marcar presença na eleição e mostrar ao país para depois ficarem dizendo a todos quantos os queiram ouvir que o PT e o Lula, mesmo satanizados pela mídia golpista, perderam a eleição, mas que mesmo assim ainda disputaram a presidência da República em igualdade de condições com um candidato que não era o Lula, mas que, se tivesse sido, certamente que teriam ganhado a eleição ainda no primeiro turno.

Eu nem queria mais votar no segundo turno dessa eleição, contudo, em face das circunstancias a que fomos conduzidos pela vaidade e egoísmo do PT e do Lula, fechei os olhos e votei no Haddad, mesmo sabendo que ele perderia a eleição. Se, porém, por uma dessas zebras do destino tivesse sido o vencedor, seria pior para todos nós brasileiros e brasileiras porque o seu opositor o teria acusado de fraude na eleição, fato que traria sérios desdobramentos e inclusive com riscos para a nossa ainda tão incipiente democracia que apesar de ainda imperfeita é bem maior que todos nós. E se por acaso o seu opositor se conformasse com a derrota e não o acusasse de fraudar as urnas, infelizmente, ele também não conseguiria a governabilidade necessária para poder fazer as tão urgentes e impopulares reformas que aguardam o futuro mandatário da nação.

De minha parte, se ainda estiver vivo e digo isso porque quando se fica com o cabelo bem branquinho assim como o meu, geralmente já se está mais para eternidade do que para a vida. E porque tão distante ainda do futuro pleito presidencial faço uma afirmação dessas? Com certeza não é por nenhum tipo de paixão, haja vista que há muito tempo me tornei consciente do que esse sentimento descontrolado do ego pode trazer para qualquer de nós seres humanos. O meu candidato para 2022, salvo melhor juízo, será o Ciro Gomes novamente, pois ele se revelou para mim como o mais capacitado de todos os outros candidatos que se apresentaram ao povo brasileiro nessa eleição.

Ciro Gomes é um homem de inteligência brilhante, nacionalista, patriota, capacitado, competente, honesto, com atuação exitosa por onde passou quer seja como Deputado Estadual do Ceará, Prefeito, Deputado Federal do Ceará, Governador do Ceará, Ministro da Fazenda no Governo de Itamar Franco, Ministro da Integração Nacional no Governo do Lula, Professor Universitário de Direito Tributário, Bolsista em Havard, Escritor e Excelente Palestrante. Durante a campanha foi o único candidato que queria discutir com seriedade um projeto de Brasil grande ao apresentar um Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social com começo meio e fim para o país no intuito definitivamente de tirá-lo desse marasmo econômico em que se encontra à deriva no mar da tempestades e ao sabor dos grandes interesses internacionais.

Infelizmente, o povo brasileiro no decorrer do tempo tem se deixado sempre conduzir mais pela emoção que pela razão e o resultado desse atrasado processo decisório de acreditar em nossos opressores que geralmente se mostram como nossos amigos, tem nos mantido nessa endêmica paralisia alternada sempre por cíclicas bonanças e dificuldades que, ora inocentemente nos leva a acreditar que somos ricos, hora nos mostra a triste realidade de que somos pobres.

Então, ante tantas realidades econômicas e sociais que nos tem trazido apenas sofrimentos e nos mantido atados ao velho e carcomido cabresto do subdesenvolvimento, porque urgentemente não nos reciclamos escolhendo não mais os nossos eternos inimigos, mas sim os nossos mais patriotas e competentes políticos nacionalistas para não somente sonharmos mais também construirmos, todos juntos, uma nação para nós mesmos e não apenas para os nossos reais opressores como até agora tem acontecido? Com a palavra, o eterno sofredor povo brasileiro!