Deputado Girão, mais 9 deputados e um senador tem sigilo bancário quebrado pelo STF

Por Ronaldo Costa Josino 16/06/2020 - 21:48 hs

O deputado federal general Girão Monteiro (PSL) teve o sigilo bancário quebrado nesta terça-feira (16) pelo Supremo Tribunal Federal. Além dele, outros 10 parlamentares (nove deputados e um senador) também estão sendo investigados no inquérito que apura participação e financiamento de parlamentares e empresários em manifestações antidemocráticas que pedem, entre outras pautas, o fechamento do Congresso, do STF e a volta do AI-5.

A autorização para a quebra dos sigilos foi do ministro Alexandre de Moraes.

Outros alvos da operação são os bolsonaristas Daniel Silveira (PSL-RJ), Carla Zambelli (PSL-SP), Bia Kicis (PSL-DF), Cabo Junio do Amaral (PSL-MG), Alê Silva (PSL-MG), Otoni de Paula (PSC-RJ), Caroline de Toni (PSL-SC), Guiga Peixoto (PSL-SP), Aline Sleutjes (PSL-PR), além do senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ)

Girão é o único parlamentar eleito pelo Rio Grande do Norte investigado. Antes de assumir o mandato, em 2018, ele defendeu em vídeo a prisão dos ministros do STF. Em 31 de maio, Girão participou de uma manifestação em frente ao Supremo e voltou a criticar os ministros da Suprema Corte:

“Antidemocrático é o que esses caras aqui estão fazendo, esses 11 togados que foram ungidos para o Supremo como se fossem deuses. Isso aqui é a verdadeira demonstração da democracia brasileira, é o povo que está com Bolsonaro. O Brasil não pode dar um passo atrás. A nova jogada agora é a cassação da chapa no TSE, isso é um absurdo, temos que reagir a isso. Na Câmara dos Deputados também estamos reagindo”, disse em vídeo gravado na frente do STF.

Eliézer Girão Monteiro nasceu no Ceará, é general da reserva do Exército e foi o quarto deputado federal mais votado do Estado, com 81.640 votos. Ele surgiu no Rio Grande do Norte pelas mãos da ex-governadora Rosalba Ciarlini, que o nomeou secretario de Estado de Segurança Pública.

Atualmente o parlamentar está suspenso e impedido de exercer suas funções a pedido do próprio PSL. Embora tenha permanecido na sigla que o elegeu, ele é da ala bolsonarista e rompido com o grupo liderado pelo presidente do partido, o pernambucano Luciano Bivar.

Inquérito

De acordo com o jornal O Globo, a decisão de Moraes foi tomada em conjunto com a autorização para a operação Lume, que cumpriu nesta terça-feira (16) mandados de busca e apreensão contra 21 pessoas, ligados aos atos que defendiam o fechamento do Congresso Nacional e do STF.

Alguns empresários também foram alvos de busca e apreensão nesta terça, como Otávio Fakhoury, e o advogado Luís Felipe Belmonte, responsável pela organização do partido idealizado pelo presidente, o Aliança pelo Brasil.