Coronavírus pode fechar 2,7 milhões de empresas na América Latina e no Caribe

Segundo a Cepal, órgão econômico da ONU, portas fechadas devem resultar na perda de 8,5 milhões de empregos

Por Ronaldo Costa Josino 03/07/2020 - 17:05 hs

A Referência - A pandemia do novo coronavírus pode levar ao fechamento de cerca de 2,7 milhões de empresas nos países da América Latina e do Caribe, de acordo com estudo da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

A pesquisa, divulgado nesta quinta (2), conclui que os fechamentos devem resultar na perda de 8,5 milhões de empregos.

A maioria das empresas da região está registrando grandes quedas na renda. As dificuldades para manter suas atividades são generalizadas, por não conseguirem manter obrigações salariais e financeiras.

A comissão também aponta a dificuldade desses negócios de obter acesso a financiamentos para capital de giro.

O estudo identifica o comércio atacadista e varejista, atividades comunitárias, sociais e pessoais, hotéis e restaurantes, atividades imobiliárias, comerciais e de aluguel e manufatura como as áreas mais afetadas pela crise de saúde global.

Segundo a Cepal, a pandemia está atingindo severamente setores que geram mais de um terço do emprego formal, e um quarto do PIB da região.

A comissão acredita que, caso não sejam implementadas políticas adequadas para socorrer essas empresas, é muito provável que os países da América Latina e Caribe regridam em termos de diversificação e sofisticação da atividade econômica e produtiva.

Micro, pequenas e médias empresas

Ainda de acordo com o estudo, as micro, pequenas e médias empresas são as mais afetadas. Da projeção de fechamento de 2,7 milhões de empresas, 2,6 milhões são microempresas.

O tamanho do impacto varia de acordo com o setor. Para o comércio, por exemplo, é previsto o fechamento de 1,4 milhões de empresas e a perda de quatro milhões de empregos formais.

Já o turismo, um dos setores mais afetados pela pandemia em todo o mundo, perderá pelo menos 290 mil empresas e um milhão de empregos.

A partir de março deste ano, os governos dos países da região tomaram 351 medidas para sustentar a estrutura produtiva. Entre eles há medidas de crédito, ajuda direta, proteção ao emprego e apoio à produção e exportação.

Propostas

A agência da ONU propôs um conjunto de medidas para evitar o agravamento desse cenário. Entre elas, está a ampliação dos termos e alcance das linhas de intervenção, em termos de liquidez e financiamento para as empresas.

A Cepal recomendou ainda o cofinanciamento das folhas de pagamento das empresas por seis meses, além de garantir transferências diretas para trabalhadores autônomos.

A última proposta aponta o apoio a grandes empresas de setores estratégicos que são severamente afetados pela pandemia do Covid-19.

Anteriormente, a comissão já havia incentivado o fornecimento de uma renda básica emergencial por seis meses a toda a população em situação de pobreza na América Latina e Caribe.