Aulas começam a retornar em SP nesta terça. Quem é do grupo de risco vai ficar em casa

A reabertura vale tanto para a rede privada quanto para a pública, que vai funcionar em sistema de rodízio de alunos.

Por Ronaldo Costa Josino 07/09/2020 - 16:27 hs

Após seis meses de paralisação, imposta pela pandemia do novo coronavírus no país, as escolas de 120 cidades do estado de São Paulo retomam parcialmente as atividades presenciais na próxima terça-feira (8).

A reabertura vale tanto para a rede privada quanto para a pública, que vai funcionar em sistema de rodízio de alunos.

Em entrevista à CNN, o secretário da Educação do estado de São Paulo, Rossieli Soares, ressaltou que essa reabertura ainda não se refere às aulas curriculares e que a retomada será gradual e de acordo com a estrutura das escolas.

Com relação às pessoas do grupo de risco, do qual ele próprio, diabético, faz parte, disse que é melhor evitar o retorno.

“Sobre grupo de risco, a resposta é simples: não volta, nem agora nem depois, no retorno das aulas regulares. Isso vale para alunos e servidores. Esse retorno é só para quem realmente quer e precisa, de acordo com a sensibilidade de cada local”, explica.

Nesta primeira fase, as escolas reabrem apenas para atividades especiais e suporte técnico a alunos sem acesso a computadores e outros materiais.

“A gente está falando de um retorno para reforço da atividade escolar, não são as aulas regulares. Estas, permanecem com o intermédio das plataformas de ensino a distância e, se tudo der certo, vão ser retomadas no próximo dia 7 de outubro”, disse.

Mas, para isso, será preciso que todo o estado consiga atingir a fase amarela do programa de retomada, que atualmente está fixada em 95% do estado.

“A cada dia vamos reavaliando do ponto de vista da saúde. Estamos reabrindo um tipo de estabelecimento a cada semana. A gente precisa checar se a trajetória da pandemia continua sendo de redução”, explicou.

Soares disse que haverá um limite de até 35% dos alunos na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental e de 20% nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

O secretário explica que cada colégio terá autonomia para determinar qual o contingente que sua estrutura suporta e que, portanto, essa porcentagem pode ser ainda menor.

A prioridade, de acordo com Soares, são as “séries finais”, que encerram cada etapa do ensino, como o 9º ano do fundamental e, especialmente, o 3º ano do médio.

Além disso, os alunos das séries de alfabetização também receberão uma atenção especial.

Sobre o posicionamento do sindicato dos professores, contrário ao retorno das atividades, e a possibilidade de uma greve da categoria, Soares diz que o diálogo permanecerá aberto.

“Nós não acreditamos que haja, nesse momento, um planejamento de greve, mas estamos em diálogo e, inclusive, teremos uma reunião com os professores nos próximos dias”, relatou. “Além disso, nenhum professor é obrigado a voltar. Quem não se sentir à vontade, pode continuar lecionando a distância.”

Ao fim da entrevista, outro ponto tocado por Soares foram os efeitos colaterais da pandemia na saúde integral das pessoas. “A gente fala muito dos medos em torno da Covid-19, mas a gente precisa também falar de saúde mental. Por isso, vamos contratar 1.000 psicólogos, porque a preocupação com essa questão é grande. Se não cuidarmos disso, a próxima epidemia pode ser de doenças deste tipo”, concluiu.

CNN BRASIL